Política
Política com Assinatura
Passos Coelho "está a ser injusto e desajustado", acusa Paulo Rangel
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros contesta as críticas de Pedro Passos Coelho ao Governo.
Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas
“E é desajustado porque não corresponde à realidade. As reformas estão em curso, mas claro que um Governo minoritário não pode impor reformas se o Parlamento as travar”, refere.
Sobre postiço e prostituto: “estranho muito esse tipo de linguagem”
“Sinceramente estranho muito esse tipo de linguagem”, Paulo Rangel refere-se às declarações de Pedro Passos Coelho, proferidas ao lado do líder do Chega, André Ventura, e nas quais afirmou que “o que é autêntico e genuíno sempre se manifesta e de uma forma muito mais eficaz do que o que é postiço e então o postiço fica sem nada: fica sem integridade, fica como um prostituto sem carácter, sem reduto de pensamento, simplesmente vendido ao aplauso que o momento lhe possa fornecer".
Rangel assegura que respeita Passos Coelho e que por isso “vou desvalorizar o uso desse tom” e até acredita que “não visava nem o Governo nem ninguém no Governo”.
Acrescenta que “é uma maneira de estar, é uma maneira de falar que nem corresponde aquele que é o traço de Pedro Passos Coelho” e conclui que não quer perder tempo com essa “passagem menos feliz” de Passos Coelho.
“Revisão constitucional não é o alfa e o ómega da política portuguesa"
Segunda metade da legislatura “ou em 2027 ou a partir de 2027”, é para essa altura que Paulo Rangel volta a remeter a revisão constitucional.
O ministro relembra que o Governo sempre disse que mudanças na Constituição não são para serem discutidas já, até porque “não existe uma maioria de 2/3 de nenhum dos três partidos”.
E questiona a editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, “vai ser sempre necessário, na sua opinião, um PSD, um PS e um Chega?”. Responde Rangel: “ou uma Iniciativa Liberal, não sabemos”.
“A revisão constitucional não é o alfa e o ómega da política portuguesa. Isto não quer dizer que de tempos a tempos não se faça”, defende Paulo Rangel.
“Vai chegar o seu tempo. Acho que é precipitado... Estamos com tantas reformas que me parece estranho que estamos a precipitar-nos para uma coisa que o PSD disse sempre que seria para a segunda metade da legislatura”, diz.
Garante que “o PSD é uma garantia de que os princípios da Constituição, que são princípios fundamentais, não estarão em causa”.
E contraria o deputado do PCP, António Filipe, que escreveu um artigo intitulado “Anatomia de um golpe inconstitucional PSD/Chega/Aguiar Branco” e no qual defende a ideia de que “estamos perante uma golpada que torna muito claro que o regime democrático corre um perigo muito sério”.
“É um artigo político. A Constituição não pode ser lida como o Código de Processo Civil. E ele (António Filipe) também sabe”, ironiza Rangel. No Política com Assinatura, o Ministro defendeu que é do interesse do país haver um Governo de legislatura. Para isso considera que deve “haver abertura do Governo, mas também dos partidos da oposição”.
“Conto com a responsabilidade de todos os que foram eleitos para contribuírem para que haja um Governo de legislatura e estabilidade porque isso é essencial”, desafia.
Exemplo disso, o Orçamento do Estado para 2027.
Paulo Rangel reconhece que “é preciso obviamente negociar. Um Governo minoritário tem essa responsabilidade também”.
“O Governo, tal como fez em 2024 e em 2025, com certeza que estará disponível para fazer as negociações necessárias”, assegura.
MNE teme uma crise humanitária alimentar por causa dos fertilizantes
A prevenção de conflitos e a segurança alimentar serão as prioridade e objetivo de Portugal como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para 2027 e 2028.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros assegura que Portugal pretende “essencialmente fazer pontes”, mas reconhece, ao mesmo tempo, que “vai ser mais difícil do que antes porque estamos numa situação de incerteza geopolítica”. Para Paulo Rangel a grande questão é “a incerteza” mundial.
Nesta entrevista adianta que a segurança alimentar será uma das “causas portuguesas” no Conselho de Segurança.
“Podemos correr o risco de uma crise humanitária muito grande em África por causa dos fertilizantes. Estou a falar da alimentação de milhões e milhões de seres humanos. Pessoas que estão numa situação muito aflitiva”, lamenta. Nesta entrevista defende que a União Europeia manter o diálogo com a Rússia de forma a ser alcançada a paz na Ucrânia.
Entende que existe neste momento uma oportunidade de diálogo, aquilo a que chamou de “momentum” para que os Estados-Membros estejam engajados na procura da paz naquela parte do Mundo.
Paulo Rangel entende que a Europa não deve ser intermediária no conflito, mas deve estar envolvida nesse diálogo e “encontrar soluções que sejam sustentáveis e trazer a paz à Ucrânia”.
Base das Lajes: Portugal pode dizer não aos EUA, “está previsto nos tratados”
“Um dia, historicamente, tudo poderá ser visto com uma distância e verificarão se as regras foram mesmo aplicadas e se houve ou não recusas em determinadas circunstâncias”. É desta forma que o Ministro dos Negócios Estrangeiros comenta a relação entre Portugal e os Estados Unidos da América (EUA) no que diz respeito à Base das Lajes
Garante que o país pode dizer não aos EUA, porque o acordo entre os dois países o permite, e que “Portugal, já mais do que uma vez, ao longo da sua História, recusou um ou outro determinado uso (da Base). Com certeza que o fez!”.
Mantém a ideia de rever o protocolo entre Portugal e os EUA sobre a Base das Lajes, preferencialmente quando o conflito no Médio Oriente estiver resolvido. “Temos de olhar para esse dossier porque passaram 30 anos desde esse acordo. É natural que haja muitos ajustamentos a fazer”, defende.
À rádio pública reafirma ainda que a Base das Lajes foi utilizada pelos americanos “de acordo com as condições normais” e apenas para reabastecimento.
Guiné-Bissau “é um membro imprescindível da CPLP"
“O nosso respeito pela Guiné-Bissau é enorme. É um membro imprescindível da CPLP. Queremos um diálogo positivo”, afirma Paulo Rangel ao comentar a situação da Guiné-Bissau que foi suspensa da e pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em dezembro do ano passado, por violação grave da ordem constitucional após o golpe de Estado ocorrido no país no fim de 2025.
O ministro diz entender que essa suspensão possa ter criado, na Guiné-Bissau, “algum trauma”, mas “se forem dados sinais por parte das autoridades, poderemos, progressivamente, restaurar um diálogo frutuoso, que leve a que a Guiné-Bissau possa retomar a sua participação a 100 por cento na vida da CPLP”.
Paulo Rangel mostra-se expectante em relação à reunião ministerial, agendada para Dili, na Indonésia, para o dia 17 de julho e que assinala os 30 anos da CPLP. “Estou com alguma expectativa que nesta reunião se possa fazer algum progresso”, adianta.
Rangel muito apreensivo com ataques do Irão
Em entrevista ao podcast da Antena 1, Política com Assinatura, o ministro dos Negócios Estrangeiros vê com “muita apreensão este desenvolvimento” referindo-se ao conflito entre Israel e o Líbano e a resposta do Irão aos ataques israelitas, o que levou a uma escalada do conflito no Médio Oriente.
O ministro deseja que o Líbano não seja um novo foco do conflito “porque isto é um desenvolvimento muito negativo e por isso digo que o estou a ver com muita apreensão”.
“Tem um potencial de escala de conflito grande e isso são muito más notícias” avisa Rangel que caracteriza este atual momento no Médio Oriente como “o estado é reservado”.
E reafirma que o Irão é uma ameaça não só pela capacidade nuclear como pela questão do Estreito de Ormuz. Entrevista de Paulo Rangel ao Política com Assinatura, conduzida pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho.